A companhia da sua ausência é incontestavelmente uma evidência de você.
Eu ouvi o som ensurdecedor da porta se fechando, escutei seus passos até o virar da esquina, senti seu aroma evaporar-se, e ainda sim tu me acompanhas por onde eu vou.
Nem mesmo o sol é capaz de me aquecer com a maestria do seu corpo.
Nenhuma estrela ilumina meu sorriso como o brilho dos seus olhos.
Mas basta o sol de manhã e uma estrela despontando ao entardecer para eu me lembrar de você.
Dia e Noite, alimentando meu gosto peculiar de você.
De olhos fechados, me perco entre as lembranças de toques, beijos, enlaces, e sigo assim, caminhando pela vida colorindo o mundo de você.
Em qualquer lugar que eu vá e mesmo os que outrora visitei, são marcados pela sua hospedeira presença.
Por mais que esforce, não me lembro de ser feliz antes de você se aportar em mim.
Com os olhos fixos no porta-retrato, procuro insanamente uma foto.
Furtivamente, percebo que bastaria um retrato meu, que ali estaria você, imutavelmente em mim.
Mas não, não é esse o cerne da questão...
Eu queria mesmo era você naquele porta-retrato.
Emoldura-te seria impor limites em você dentro do meu espaço.
Limitado ali dentro, eu poderia sozinha buscar a paz que você levou de mim.
Livre, eu facilmente poderia visitar um mundo que não estivesse impregnado de você.
E como uma tela em branco, poderia pintar na minha alma, um novo amor...
Ah, seria esplêndido...poder sentir meu olhos brilharem embaladas pela esperança de um novo caminho...