“Eu quero pouco e quero mais. Quero você. Quero eu. Quero domingos de manhã. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu cheiro. Quero aquele olhar que não cansa, o desejo que escorre pela boca e o minuto no segundo seguinte: nada é muito quando é demais.”
16.12.10
2.12.10
Pedido
"Vai.vê se me esquece...
Tira meu nome da lista de telefone
Vai ver que o mundo anda tão bem
mesmo eu sem você"
Vem aqui! É sério! Eu preciso falar com você. Agora. Senão morro. Asfixiada. Não dá mais pra adiar.
Mais do que a sua presença eu preciso da sua ausência. É, direto. Simples assim. Já que decidiu ir embora, vá. Eu não quero te querer. Não quero me lembrar de como é bom sorrir contigo. Não quero brincar de brigar. Não quero te apurrinhar pra dizer o tanto que eu sinto loucamente sua falta. Não quero te provocar sem possibilidade de realizar. É que eu cansei, sabe? É hora de dar tchau, jogar a toalha, sair a francesa, tombar o Rei. Afinal de contas, não faz diferença. Nunca fez. Nem o que você sente, nem o que queria sentir, e principalmente nem o que te fez voltar. Não importa se sente falta do meu cheiro. Não importa se os sorrisos que encontra por aí, não são emolduradas por covinhas empolgadas ao te ver. Nada disso importa. O que importa agora é que você, por um motivo que eu não consigo compreender, resolveu ignorar o óbvio.Ignorar com maestria o que seus atos insistem em te dizer. Ignorar que a sua realidade não te torna um homem feliz. Quando é que você vai entender que estar no controle é menos importante que ser feliz. E que mais bacana do que ser amado, é amar e ser correspondido? Que essa zona de conforto, vai virar zona de arrependimento? Ah, deixa pra lá...Bobagem...Claro que você sabe disso. Mas isso também não importa.Se me resta um derradeiro pedido, não esquece, tá? Não esquece que queria te dizer isso bem de pertinho. Que queria poder te dar um abraço bem apertado, depois de beijar seu rosto, começando pela testa, passeando nos olhos e salpicando as suas bochecas. Ia ser uma boa lembrança para se guardar...Mas, vai cicatrizar.
E desta vez não te quero por perto para puxar as casquinhas. Beijo, tchau!
14.11.10
Guimarães Rosa
"Será que você seria capaz de se esquecer de mim, e, assim mesmo, depois e depois, sem saber, sem querer, continuar gostando?"
7.11.10
Looking Back
"It must have been love but it's over now
It was all that I wanted, now I'm living without
It must have been love but it's over now
It's where the water flows
It's where the wind blows"
Conheço bem essa sensação.
Essa repleta incoerência dos meus dias com a vista da minha janela têm sido permanente.
O sol brilhando lá fora, e aqui dentro tudo nublado.
Pois é.
Meu dias estão repetidamente nublados.
Não há um só raio solar, mas o temporal já passou.
Era como se as minhas lágrimas tivessem se infiltrado dentro de mim, e desviado o caminho normal.
Eu não estou aliviada.
Eu estou completamente devastada.
Minhas árvores destroçadas.
Meus asfaltos molhados.
Não havia outra alternativa além de seguir por aquele caminho em marcha lenta, sem poder acelerar com risco de derrapar de volta pra você.
Mas, sabe, eu não estou mais preocupada em fazer o sol brilhar por aqui.
Uma hora ou outra ele têm que aparecer e me fazer uma visitinha, afinal o mundo dá muitas voltas, não seria diferente aqui dentro.
Tenho me concentrado para não olhar para trás, pra não pegar o caminho contrário e voltar, pra exorcizar as lembranças do que poderia ser, para apagar o meu arrependimento de ter insistido tanto, para me perdoar por ter me enganado tanto.
É um viagem turbulenta.
A sua falta abriu muitas crateras no meu caminho.
É tão estranho, esse caminho tem me deixado confusa.
Por mais que caminhe, eu ainda consigo te ver claramente quando olho para trás.
E eu não entendo como você foi capaz de me pedir para ir embora se não estava disposto a seguir sem mim.
E eu sinto a alegria, como um corpo estranho em mim.
Uma alegria de ter estado certa mesmo perdendo no final (se é que é um final).
E eu almejo ser o que mais odeio em você.
Queria ter a coragem de ser covarde.
Queria não mudar a minha vida “só” por gostar de alguém.
Queria saber lidar com o eterno arrependimento do que poderia ter sido.
Queria não me importar em ser negligente com os sentimentos alheios.
Queria acreditar nas minhas próprias mentiras.
Queria me contentar com o pouco quando o muito me é oferecido.
Queria desistir pelo simples medo de sofrer.
Queria me sentir confortável de ser levada pelos acontecimentos da vida.
Queria desejar permanecer numa eterna inércia.
Queria ficar feliz de ser coadjuvante da minha própria vida.
Queria possuir a felicidade sem necessitar do brilho no olhar.
Engraçado, mas acho que compartilhamos de um desejo:
Mais que tudo, eu queria ter ido embora, sem nenhuma vontade de ficar.
Faz muito tempo que não chove aqui , mas não vai demorar muito para fazer sol...
De longe eu já consigo ver um arco-íris despontar no céu, e quanto mais eu avanço para vê-lo, você vai ficando cada vez mais pequenininho aqui dentro...
É, eu estou seguindo meu caminho, quase paralisada entre duas vontade de forças equivalentes...
Mas ainda tenho que despender de um esforço sobre-humano para não olhar pra trás...
16.8.10
Adeus
" Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu "
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu "
Foi tudo muito rápido.
Você se foi antes que eu pudesse segurar forte a sua mão e te pedir pra ficar.
E no segundo de piscar de olhos, o meu para sempre transformou-se em nunca mais.
E agora, completamente preenchida pela sua ausência, sinto minha alma despedaçada.
Desde que você se foi, meus olhos desaprenderam a ver a beleza do mundo.
As cores tão vibrantes que coloriam minha vida, desbotaram.
Sinto tanto a sua falta.
E na ânsia de manter -te viva, vasculho desesperada cada centímetro do meu ser em busca da menor até a mais bela lembrança recheada com a sua presença.
E elas reaparecem, embargando a voz, transbordando os olhos e dilacerando a ferida aberta.
Completamente imersa em minhas lembranças, sou capaz de sentir tuas mãos passeando nos meus cabelos.
E tão nítida quanto as lágrimas em meus olhos, é a lembrança do cheiro do arroz quentinho dentro do isopor e do feijão preto cozinhando no fogão.
E a vida era tão doce quanto as laranjas que você descascava depois do almoço.
Estranha magia que envolvia, costas com costas, uma neta ansiosa em alcançar a estatura de sua vovó sempre paciente e risonha.
Mal sabia ela, que a grandeza de sua vó não estava na estatura e sim no coração que transbordava de tanto amor.
E ajoelhada ao pé da cama da vovó, sorria, enquanto ela a ensinava rezar.
Não entendia porque deveria Deus protegê-la de todo "mar", mas adorava estar ali, na exclusividade tão rara, quando dormia na casa de sua avó.
E nenhuma palavra no mundo é capaz de expressar a alegria dominical de ser recebida pela a avó, sempre com os braços abertos, a bochecha rosada emoldurando um sorriso , cabelos estranhamente grisalhos e um cafezinho na mesa.
E era fácil começar a semana, depois que ela sussurava no meu ouvido que me amava sempre que eu ia embora.
E dessa, vez, não foi diferente...
Eu só não sabia que ela é que estava indo embora.
Sorrindo, ela disse sem cerimônia, que me amava e pediu carinhosamente, como se fosse possível, que eu não me esquecesse disso.
E de tanto bordar amor, acabou-se o fio de sua vida.
E tão inesquecível quanto ela, é a saudade que mora em mim.
É, a vida ficou desbotada e o Céu mais bonito.
Agora toda noite, antes de dormir, procuro a estrela mais brilhante do céu, e sussuro: “- Eu te amo, vovó”
E ela cintila de alegria e promete mesmo de longe iluminar pra sempre a minha vida.
Não sei ainda quantos caminhos hei de percorrer, mas sei que no final da estrada, certamente ela estará lá, de braços abertos, com o mesmo sorriso emoldurado por bochechas rosadas, pronta para um reencontro que vai transformar toda essa ausência em quase nada.
2.8.10
Clarice Lispector
“Tenho cabeça, coração e me respeito. Acredito em sonhos, não em utopia. Mas quando sonho, sonho alto. Estou aqui é pra viver, cair, aprender, levantar e seguir em frente. Sou isso hoje, amanhã já me reinventei. Sou complexa, sou mistura. Me perco, me procuro e me acho. E quando necessário, enlouqueço e deixo rolar. Não me doo pela metade, não sou tua meio amiga nem teu quase amor. Ou sou tudo ou sou nada. Não suporto meio termos.”
E parafraseando Clarice Lispector....acho que é o meu auto-retrato.
23.7.10
Caio Fernando de Abreu
"Ela tem cara de menina mimada, um quê de esquisitice, uma sensibilidade de flor, um jeito encantado de ser, um toque de intuição e um tom de doçura. Ela reflete lilás, um brilho de estrela, uma inquietude, uma solidão de artista e um ar sensato de cientista. Ela é intensa e tem mania de sentir por completo, de amar por completo e de ser por completo. Dentro dela tem um coração bobo, que é sempre capaz de amar e de acreditar outra vez. Ela tem aquele gosto doce de menina romântica e aquele gosto ácido de mulher moderna.”
Recebi esse trechinho de uma pessoa que leu e se lembrou de mim...
É uma honra "ser reconhecida" de maneira tão doce.
22.7.10
A Carta (Nunca enviada, mas intensamente sentida)
"Exatos são os teus olhos que invadem
E me revelam teu coração
Exata é a cor do teu deserto
A dor do teu deserto
Exatos são teus beijos que me acertam
E a ti revelam meu coração"
E me revelam teu coração
Exata é a cor do teu deserto
A dor do teu deserto
Exatos são teus beijos que me acertam
E a ti revelam meu coração"
Estou cortando a Espanha, entre Barcelona e Madri, desfrutando das melancólicas curvas decoradas pelo Deserto de Monegros.
Malas prontas, rotas traçadas e meu querer apontando para um único destino.
Absorta entre a fome de novos lugares e a sede excruciante de você.
Completamente seduzida pelas ondas do deserto salpicado por raios solares, minhas retinas invertem as imagens e projetam você nos detalhes perfeitos que fazem de toda paisagem única.
Atravessei meridianos desejando encontrar uma paz boa o suficiente para neutralizar aquela em que mora no encontro de nossos olhares.
A Espanha se revelou um lugar intenso, quente, absurdamente envolvente. Desculpa perfeita para entregar-lhe meus pensamentos.
Impressionante, como na imensidão do mundo, caminhando por novos continentes, recolhendo novos sorrisos, desfolhando novos olhares, arrebatada por novos ares, eu mantenho o agradabilíssimo ritual de pensar em nós, em cada anoitecer, garantindo assim mais uma noite aquecida.
E aproximando-me da hora do retorno, trago as malas recheadas de novas lembranças suas...
Os mais belos lugares abrigaram o meu intermitente desejo da sua companhia.
Beijos saudosos.
Sempre sua.
3.7.10
Presente

"Coisa mais bonita é você, assim, justinho você
Eu juro, eu não sei por que você
Você é mais bonita que a flor, quem dera, a primavera da flor"
Eu juro, eu não sei por que você
Você é mais bonita que a flor, quem dera, a primavera da flor"
Não sei como você faz isso, mas eu simplesmente adoro.
Me surpreendo tentando decifrar a mágica que você faz de metamorfosear suas palavras em abraço.
E eu já tinha deixado de acreditar em anjos.
Fascinante esse seu dom de transformar o pranto em lágrimas de tanto rir.
E contrariando as previsões da sua roupa preta e seu olhar que mal se cruzou com o meu, soube desde o primeiro momento que pousei os olhos em você, que era um reencontro.
E eu adoro te ver sorrir, porque isso causa uma contração involuntária nas minhas bochechas que rapidamente se configura em um sorriso.
E acho lindo quando você tenta, desengonçadamente, desenhar um coração com as mãos, quando se despede de mim.
Fico me perguntando, como alguém no mundo pode viver sem ter você por perto.
Desde que você chegou, todas as noites, agradeço o pozinho da sorte que Deus despejou no meu caminho, para que ele se cruzasse com o seu.
Eu te amo, daqui até a Lua. E mais.
2.7.10
Caminhos
"E até lá, vamos viver
Temos muito ainda por fazer
Não olhe pra trás
Apenas começamos."
Metal contra as Nuvens
Eu não sei aonde eu posso comprar a passagem de volta...
E ainda não decidi a respeito disso.
Eu ainda nem sei pra onde eu quero ir.
Não faço a menor idéia de onde recomeçar.
Mas o que realmente importa, é que o que eu vejo agora, não me agrada.
E, de repente, não faz muito sentido voltar.
Algumas coisas são imutáveis.
Muitas escolhas são definitivas.
E eu, sempre escolho o caminho que têm mais coração.
E se eu pudesse voltar lá, naquele ponto, que eu nem faço idéia de onde seja, ainda sim eu teria me orientado por essa pequena bússola quebrada, estrategicamente localizada no meu peito.
E começo a desconfiar que aquela agitação louca e desvairada, é um aviso de perigo.
E nesse caminho que eu andei seguindo, me ensinou a valorizar os dias de luz.
Eles são raros.
Então na hora que eu paro e observo, vejo muita coisa que não queria ver.
Parece que nada cresce aqui.
E têm tantas pegadas no chão, de gente que passou e não quis ficar.
E as flores esqueceram de florescer, as sementes desistiram de fecundar.
E eu passo por aqui, certa de que sou mais uma que vai parar, olhar, e seguir.
Mas os dias de sol, são mágicos, encantadores.
E eu tenho certeza, que quem passasse por ali, num desses momentos, teria uma vontade incontrolável de se enterrar ali.
E você se enterra, até perceber que esse dias tão raros, tão espaçados que são capazes de murchar as lembranças mais belas.
Mas agora, eu valorizo as noites escuras e frias, é nelas que consigo me orientar melhor até a saída.
E gostaria que fosse assim, até eu encontrá-la.
1.7.10
Conselho de Mãe
É melhor cair da cadeira que das nuvens...
Só precisava aprender a não voar dentro de mim mesma. Mas passa, como tudo.
Só precisava aprender a não voar dentro de mim mesma. Mas passa, como tudo.
22.6.10
Tributo a Saramago
"Se tens um coração de ferro, bom proveito. O meu, fizeram-no de carne, e sangra todo dia."
" Das habilidades que o mundo sabe, essa ainda é a que faz melhor: Dar voltas.''
Vou sentir falta da poesia que deslizava fácil das mãos desse poeta de brilho único que embalou tantas noites insones...
12.5.10
Tati Bernardi
E que entenda que temos tudo o que duas pessoas precisam para ser feliz: A gente dá muitas risadas juntos.
A gente admira o outro desde o dedinho do pé até onde cada um chegou sozinho.
A gente acha que o mundo está maluco e sonha com sonos jamais despertados antes do meio-dia…"
A gente acha que o mundo está maluco e sonha com sonos jamais despertados antes do meio-dia…"
11.5.10
Ainda é tempo...
Prá te encontrar
Não estou ao seu lado
Mas posso sonhar
Aonde quer que eu vá
Levo você no olhar
Aonde quer que eu vá
Aonde quer que eu vá..."
Aonde quer que eu vá
Incontáveis foram as vezes que desejei que ocupasse o porta-retrato que jaz empoeirado sob o criado completamente mudo diante da ausência que me preenche.
E, sinceramente, acho que mesmo assim, eu gosto.
A companhia da sua ausência é incontestavelmente uma evidência de você.
Eu ouvi o som ensurdecedor da porta se fechando, escutei seus passos até o virar da esquina, senti seu aroma evaporar-se, e ainda sim tu me acompanhas por onde eu vou.
Nem mesmo o sol é capaz de me aquecer com a maestria do seu corpo.
Nenhuma estrela ilumina meu sorriso como o brilho dos seus olhos.
Mas basta o sol de manhã e uma estrela despontando ao entardecer para eu me lembrar de você.
Dia e Noite, alimentando meu gosto peculiar de você.
De olhos fechados, me perco entre as lembranças de toques, beijos, enlaces, e sigo assim, caminhando pela vida colorindo o mundo de você.
Em qualquer lugar que eu vá e mesmo os que outrora visitei, são marcados pela sua hospedeira presença.
Por mais que esforce, não me lembro de ser feliz antes de você se aportar em mim.
Com os olhos fixos no porta-retrato, procuro insanamente uma foto.
Furtivamente, percebo que bastaria um retrato meu, que ali estaria você, imutavelmente em mim.
Mas não, não é esse o cerne da questão...
Eu queria mesmo era você naquele porta-retrato.
Emoldura-te seria impor limites em você dentro do meu espaço.
Limitado ali dentro, eu poderia sozinha buscar a paz que você levou de mim.
Livre, eu facilmente poderia visitar um mundo que não estivesse impregnado de você.
E como uma tela em branco, poderia pintar na minha alma, um novo amor...
Ah, seria esplêndido...poder sentir meu olhos brilharem embaladas pela esperança de um novo caminho...
Mas eu não tenho uma foto sua! Jamais me perdoaria de ter consumido meu tempo ao seu lado, segurando uma câmera...
Aqueles momentos foram deliciosamente eternos e principalmente correspondidos.
Desconfio, ao nos visitar, que você saiu por aquela porta sem olhar pra traz na tentativa de conter a vontade de ficar.
Intuitivamente, cada dia que passa minha desconfiança vai se metamorfoseando em certeza...
Só queria que você viesse correndo, que soubesse que ainda é tempo, que eu ainda te amo...
Vem!!!Corre...
14.4.10
Devaneios Noturnos
"This little light of mine
I'm gonna let it shine
Let it shine, let it shine, let it shine"
Estrelas incandescentes povoavam a noite, enquanto seus intensos raios tocavam sutilmente meu rosto fascinado.
Fitei minunsciosamente aquela noite enigmática com uma curiosidade esmagadora.
Flagrei-me incapaz de compreender como aquele brilho esplendoroso não neutralizava a negritude absoluta da noite.
Céu de carvão salpicado de pérolas cintilantes...
Intrigada, observava as estrelas surgirem imponentes embaladas por braços noturnos.
Era simples esticar os dedos e vê-las desaparecer, sem esboçar qualquer resistência.
Impossível não recordar quantas vezes permiti que me ofuscassem com pequenos gestos.
Bastava abaixar os dedos, que elas estava ali, pulsantes, preservando sua esplendorosa essência.
Em tantos momentos odiei a escuridão, ignorando sua essencialidade.
Era impressionante a harmonia prodigiosa em que se encontravam: perfeitamente distantes, cintilantes, pulsantes, transformando a escuridão tenebrosa da noite em mera coadjuvante.
Maravilhada, sob o céu estrelado, era impossível entender porque as pessoas não se espelham nos desenhos de Deus.
Não avistava uma só estrela com o mesmo brilho, e nenhuma esboçava o desejo de ser o único ser cintilante.
Conpreendi que apesar de possuírem brilhos próprios e únicos, congelavam sozinhas.
Não percebi nenhuma aproximação dissimulada com o intuito de usurpar o brilho de uma estrela estonteante.
Por alguns segundos, questionei-me se as fracassadas haviam se apagado, destacando o esplendor cobiçado....
Nenhuma daquelas estrelas parecia querer apagar a outra, nao almejavam o brilho alheio, seus raios pareciam braços afoitos buscando outros para entrelaçarem-se.
De que adiantaria expandir-se em raios luminosos, se estariam condenados a vagar sozinhos pela escuridão?
Constatei que as mais belas noites são repletas de estrelas protagonizando entrelaces, encontros, desejos, cumplicidades, numa luminosidade inebriante.
Entre tantos pensamentos, muitos devaneios e uma decisão:
Não vou enfeitar meu céu com poucas e foscas estrelas, como falsos brilhantes...
Quero a infinita companhia das estrelas de brilho próprio e reluzir interminantemente reconfortada nos braços negros da noite.
22.3.10
Do outro lado
"Toda pedra do caminho
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver"
Você pode retirar
Numa flor que tem espinhos
Você pode se arranhar
Se o bem e o mal existem
Você pode escolher
É preciso saber viver"
Algumas coisas nunca mudam.
Infelizmente.
E de tão constante, torna-se oportuno.
Andamos com as próprias pernas,construímos com nossas mãos e semeamos no terreno que escolhemos.
Se o fazem por nós, é diante a própria permissão.
Surpreende-me a malícia de um poltrão, ao despejar o fracasso de sua vida, em mãos alheias.
Nada é mais ardiloso, cruel e iníquo do que sentar sobre ruínas de um castelo alucinado, lamuriar-se, enquanto lava suas mãos com lágrimas vertidas de outros olhos.
Contemplo, atônita, a revolta se instalar num corpo que prima pela inércia.
Chega a ser degradante observá-lo utilizando toda a sua força agarrado a mão estendida, para trazê-la para junto de si ao invés de erguer-se.
É triste ver seu esforço sobrehumano para transformar em degraus as muletas da vida.
O seu espelho já não reflete o menino que é e nem de longe o homem que diz ser.
Quanto tempo ainda ele vai precisar para compreender que somos unicamente responsáveis pelas nossas escolhas e concomitantemente com os efeitos provenientes dela.
Até quando vai exigir daqueles que o amam que reconstruam um lugar que sediava festas das quais eram vetados de participar.
Isentar-se da culpa é tão inútil quanto vitimar-se.
De tudo, gostaria que ele compreendesse que não se estanca o sangue de suas escaras causando ferimentos alheios.
Enquanto, direciona sua latente e poderosa energia para obter uma compaixão claramente desnecessária, despreza as virtuosas sementes e o terreno fértil que o rodeia.
Entorpecido de auto-piedade, priva-se de beber do raríssimo néctar que possui.
E aqui, do outro lado, com os olhos marejados, é tão claro que ele seria esplêndido em qualquer coisa que se propusesse fazer.
Estarrecida, sou testemunha do seu esforço inútil de construir um exercito que lute em prol de sua guerra pessoal.
Ele ignora que para construir este exercito é necessário a renuncia pessoal dos combatentes.
Desconhece que os inimigos que persegue se abrigam dentro dele.
Onipotente, exige dos outros o que nem Ele se deu.
Resta em mim, uma tristeza, uma ausência de atos diante do cenário que ele me apresenta.
Eu tenho meu caminho a seguir, e sinto não poder esperá-lo.
E, movida pelo amor, desejo que seja capaz de romper seu casulo antes que ele apodreça suas asas.
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