"This little light of mine
I'm gonna let it shine
Let it shine, let it shine, let it shine"
Estrelas incandescentes povoavam a noite, enquanto seus intensos raios tocavam sutilmente meu rosto fascinado.
Fitei minunsciosamente aquela noite enigmática com uma curiosidade esmagadora.
Flagrei-me incapaz de compreender como aquele brilho esplendoroso não neutralizava a negritude absoluta da noite.
Céu de carvão salpicado de pérolas cintilantes...
Intrigada, observava as estrelas surgirem imponentes embaladas por braços noturnos.
Era simples esticar os dedos e vê-las desaparecer, sem esboçar qualquer resistência.
Impossível não recordar quantas vezes permiti que me ofuscassem com pequenos gestos.
Bastava abaixar os dedos, que elas estava ali, pulsantes, preservando sua esplendorosa essência.
Em tantos momentos odiei a escuridão, ignorando sua essencialidade.
Era impressionante a harmonia prodigiosa em que se encontravam: perfeitamente distantes, cintilantes, pulsantes, transformando a escuridão tenebrosa da noite em mera coadjuvante.
Maravilhada, sob o céu estrelado, era impossível entender porque as pessoas não se espelham nos desenhos de Deus.
Não avistava uma só estrela com o mesmo brilho, e nenhuma esboçava o desejo de ser o único ser cintilante.
Conpreendi que apesar de possuírem brilhos próprios e únicos, congelavam sozinhas.
Não percebi nenhuma aproximação dissimulada com o intuito de usurpar o brilho de uma estrela estonteante.
Por alguns segundos, questionei-me se as fracassadas haviam se apagado, destacando o esplendor cobiçado....
Nenhuma daquelas estrelas parecia querer apagar a outra, nao almejavam o brilho alheio, seus raios pareciam braços afoitos buscando outros para entrelaçarem-se.
De que adiantaria expandir-se em raios luminosos, se estariam condenados a vagar sozinhos pela escuridão?
Constatei que as mais belas noites são repletas de estrelas protagonizando entrelaces, encontros, desejos, cumplicidades, numa luminosidade inebriante.
Entre tantos pensamentos, muitos devaneios e uma decisão:
Não vou enfeitar meu céu com poucas e foscas estrelas, como falsos brilhantes...
Quero a infinita companhia das estrelas de brilho próprio e reluzir interminantemente reconfortada nos braços negros da noite.

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ResponderExcluirBacana, profundo e bom de ler. Parabéns Lets.
Beijo