30.12.09

As vezes o que eu vejo quase ninguém vê!


"Já não me preocupo se não sei porque
Às vezes o que eu vejo quase ninguém vê
Eu sei que você sabe quase sem querer
Que eu quero o mesmo que você"
Quase sem querer.


Ando com uma dúvida a tiracolo, que me deixa perplexa. Acho provável que eu tenha uma percepção aguçada. É super compreensível que cada pessoa potencialize suas habilidades, mas o que eu não consigo administrar é a tentativa exacerbada de ignorar os sentimentos. Eu não entendo porque você faz isso. Eu não queria ser a portadora da noticia de que a sua tentativa é fracassada. Não faz muito tempo, eu selei um pacto individual: não importa o que eu estivesse sentindo -o quão detestável, vergonhoso, impossível, adorável ou revelador - eu seria inteiramente sincera comigo. Desde então tenho me sentido mais leve, tenho adquirido uma facilidade fantástica de lidar com os meus sentimentos. Não que eu saia por aí veiculando em rede nacional tudo o que eu sinto, faço, penso e fale. Compreendi que por pior que fosse essa verdade incomoda que se instala em mim, eu tinha que aprender a lidar com ela. Por vezes, fui praticamente obrigada a ceder, mas também tive vitórias. Mas confesso que geralmente consigo um consenso.Confesso (seguindo o pacto da sinceridade), que sinto uma antipatia gigantesca com atitudes primitivas. Primitivo essa insistência de ignorar o que o seu corpo teima em dizer. Primitivo ignorar que os olhos não mentem. Primitivo fingir que possui o controle das mãos, dos pés. Mais primitivo ainda é acreditar que se controla sentimentos. Será muito difícil compreender que a pessoa que mais merece a sua lealdade é você mesmo? Será que é incompreensível que é mais fácil lidar, vencer, controlar, aceitar algo que se conhece? Será que ainda não percebe que "mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira". E quando ignoramos o que nos sentimos automaticamente deixamos de perceber os sinais que as pessoas deixam no caminho.... E mais uma vez perdemos algo que poderia ser extraordinário, tão extraordinário quanto nos tornarmos nosso melhor amigo...
Aproveitando o ensejo: 
Eu sinto tanto a sua falta...que me deixa com ódio. Meu olfato fracassa na tentativa de filtrar seu cheiro. Meu corpo parece morar no Pólo Norte quando eu te vejo entrar pela porta. E sua voz gera em mim uma inquietação inexplicável. Adoro corrigir seus erros de português, e até me divirto com eles.Parafraseando novamente Renato Russo, e deixando um sinal que acredito que não irá perceber: " Eu sei que você sabe quase sem querer, que eu quero o mesmo que você".

18.12.09

Tão Perto...



"Ao meu redor está deserto 
Você não está por perto
E ainda está tão perto"

Andei recolhendo pelo caminho cristais de sabedoria.

Aprendi que quando me calo, as palavras se liquidificam pelos meus olhos.

Já sei controlar com uma certa maestria os movimentos do meu corpo, quando minha alma treme na sua presença.

Adquiri o costume de sorrir com os olhos. Aprecio encontros, especialmente os nossos.

Faço do vento meu oráculo, suponho que seja o sopro de Deus.

Possuo uma estranha mania de dedicar cada música que eu canto. Estranhamente todas têm sido pra você.

Convidei duas estrelas do céu, para se abrigarem nos meus olhos. Talvez elas conservem o brilho do meu olhar.

Misturo as cores em busca do tom ideal.


Por vezes, anoiteço durante o dia.

Possuo mais faces que um googólono.

Sou geminiana, adoro a emoção da curva, e raramente pouso os pés no chão.

Tenho o toque sutil. Lembra-se?

Pintalgo a vida com gotas de groselha.

Visito, todas as noites as minhas lembranças, em especial as nossas.

Açoito com o silêncio.

Tenho perícia, em sorver dos olhares promessas.

Sou composta de urânio, totalmente instável, produzo uma energia radiotiva, aliás muita energia. Quando bombardeada, sou capaz de causar um cataclisma.

Só me revelo para os especiais, explicação do meu fascínio em colher flores no meio de pedras.

Ministro meus próprios ungüentos e mergulho nos meus sentimentos.

Se pudesse sonhava todos os dias.


Ironicamente ou Inconscientemente, esqueci um cristal pelo caminho... porque eu ainda não aprendi a te esquecer, minha alma ainda treme na sua presença, e as estrelas que moram nos meus olhos podem adormecer quando você aparece....


Será que as promessas advindas do seu olhar eram falsas, ou eu entorpecida pelo seu perfume não soube ver...

Acontece que você tá tão longe(tão ruim), e tão perto(tão bom)... 



Depois do nosso ultimo encontro, desconfio que não sou a única que sinto assim...

16.12.09

Ela e o Tempo

"É você 
Só você
Que na vida vai comigo agora
Nós dois na floresta e no salão
Nada mais
Deita no meu peito e me devora
Na vida só resta seguir
Um risco, um passo, um gesto rio afora” 
(Tribalhistas)


Sempre foi fascinada pelo tempo.


Admirava a capacidade que ele tinha de ser tão atemporal.


Inveja a competência que ele tem pra passar.


Ficava atônita como ele se inscrevia nos detalhes de seu rosto.


Sempre travava batalhas com o tempo.


Enquanto ela tentava segurar os momentos, ele os usurpava dela fazendo-os passar.



Ela reabria as feridas como forma de se sentir viva, ele cicatrizava-os prontamente.


Enquanto ele se esforçava para limpar o ambiente para novas visitas, ela empenhava-se para recolher os fragmentos para guardar na caixinha vermelha da memória.


Ela se enfeitava com fitas para despertar paixões, ele corria rápido demais nesses momentos.


Quanto mais ela implorava para ele voar e secar suas lágrimas, mais lentamente andava e a observava.


Ele se irritava com a perícia que ela tinha de esquecê-lo.


Ela zombava com a possibilidade de caminhar sobre a linha da vida dele.


Ele enaltecia-se da sua independência.


Ela vangloriava-se de poder dividi-lo conforme suas vontades.


Ele surpreendia-se com a imprevisibilidade com que ela se vestia.


Ela criticava sua obsessividade pelo ritual.


Ele ria quando ela se projetava na sua frente na tentativa inútil de fazê-lo parar.


Ela sentia se superior por possuir amores, sorrisos, olhares, momentos e sabores, que ele na sua pressa costumeira esquecia para trás.


Ele suspirava pela surpresas da incerteza do caminho.


Ela cobiçava o poder de se saber para onde está indo.


Ironicamente precisavam um do outro.


Por vezes, ela precisava da calma, do passo calculado, da leveza, da invisibilidade, da indiferença, da independência, da parcialidade que só ele possuía.


Ele precisava, quase que diariamente, da paixão, da força, da doçura, da presença, do brilho, da impulsividade, da perseverança que ela abrigava tão ternamente em seu ser.


Num desse dias, sob um toque divino, se entreolharam.


Resolveram sem nada pronunciar darem as mãos e ficarem juntos, ora correndo, ora andando, ora levitando, ora arrastando, ora voando, ora com as pontas dos pés, mas sempre juntos.


Finalmente haviam percebido que a paisagem se tornava mais bela, quando compartilhada.


De vez em quando, eles ainda brigavam, mas nunca tiveram o desejo de soltarem as mãos um do outro

11.12.09

Desejos









“Ah! Infinito delírio
Chamado desejo
Essa fome de afagos e beijos
Essa sede incessante de amor”
(Gonzaguinha)






Uma lista de desejos, afinal o Natal ta aí, não custa retroceder alguns anos e acreditar em Papai Noel. 

Há muito não carrego em mim a doce inocência da existência do bondoso velhinho.

Ironicamente tenho acreditado em tanta coisa, do tipo “você é especial”, seguido do clássico “você é linda”, tão bem acompanhado você não existe!” e até o descontraído “você é foda”.

Que mal há de acreditar no Papai Noel?

Será que ele lê blog?

Vou acreditar que sim!



Lista de Desejos:



  • Show do Chico Buarque.
  • Que o tempo voe e chegue na viagem de Janeiro no Rio de Janeiro, com as melhores companhias.
  • Mais quintas-feiras com amigas no Krug Bier.
  • Poema de Neruda sussurrado ao pé do ouvido.
  • Pane no ar condicionado.
  • Tua doce impresença.
  • Matar saudades.
  • Usar meu macacão vermelho novo (perfect).
  • Ouvir Sophia cantando no telefone, após reconhecer minha voz.
  • Convencer Maria Vitória de que vale a pena jogar as tranças pro Príncipe Encantado (se ele aparecer), que ele não vai querer subir de escada, já basta ele ter resolvido aparecer. 
  • Conseguir sustentar um certo olhar.
  • Emagrecer uns 10 kg.
  • Deixar o cabelo crescer.
  • Incendiar.
  • Scarpin preto.
  • Mensagem no celular de madrugada.
  • Sorrisos correspondidos.
  • Cozinhar com meu pai, tomando caipirinha e escutando música sertaneja.
  • Num dia frio, deitar com a minha mãe e assistir “Uma Luz na Escuridão”, com direito a repeteco da cena do baile.
  • Compras com a Deborah no Rio de Janeiro.
  • Pipocar mensagem de MSN daquela pessoa.
  • Ir no show do Cris.
  • Brilho no olhar.
  • Malas Prontas.
  • Conversa no MSN com Alexandre, me dizendo que sou uma tola por acreditar nas pessoas, mas eu continuo acreditando. (Algo me diz que vale a pena.)
  • Que Papai Noel tenha acesso a internet.
  • Ler meus 7 livros lacrados, empoeirando no meu criado mudo.
  • Dirigir sozinha, escutando Beatles no volume mais alto.
  • Nova cota de frios na barriga.
  • Controlar minha compulsão de comprar livros.
  • Convites.
  • Petit Gateau diet.
  • Comprar mais um macacão novo pra minha coleção.
  • Paris.
  • Morrer de amor e continuar viva! ( Parafraseando Mario Quintana)


É acho que tá bom, não convém abusar do Papai Noel já de cara....

7.12.09

Cara Valente


“Foi escolher o mal-me-quer
Entre o amor de uma mulher
E as certezas do caminho
Ele não pôde se entregar
E agora vai ter de pagar
Com o coração
Olha lá!
Ele não é feliz
Sempre diz
Que é do tipo Cara Valente
Mas veja só
A gente sabe...
Esse humor
É coisa de um rapaz
Que sem ter proteção
Foi se esconder atrás
Da cara de vilão
Então, não faz assim rapaz
Não bota esse cartaz
A gente não cai não...”

( Marcelo  Camelo) 



Uma vez conheci um cara valente e ele supreendentemente foi capaz de encantar uma mulher.
 
Hoje, ela olha pra ele, buscando encontrar um resquício daquele rapaz que lhe arrancou do rosto sorrisos sinceros, olhares comprometedores e frios na barriga.

 
Ela já não espera as mensagens divertidas que ele lhe enviava, mas ficaria feliz em recebê-las.

 
Trocaria a distância fria, pelo prazer do calor que emanavam juntos.

 
Ela soube ver além do que ele gostaria, ele não foi capaz de ver o essencial.

 
Ele escolheu um caminho, e ela escolheu ser feliz.

Medo de Chuva


“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens.” (Vinicius de Morais)


Lá estávamos nós duas, dentro do carro parado no sinal, sob uma chuva torrencial.

Do Olimpo, comentávamos o tormento dos transeuntes que precisavam de um guarda-chuva para se proteger da chuva, e concluímos que o uso daquele artefato era completamente dispensável. Afinal, o uso dele nao proporcionava uma proteção garantida, e acrescido do  transtorno de transportar, tornava o uso inviável.


Obviamente, se estivéssemos no lugar daquelas pessoas preferiríamos andar na chuva a utilizar o mal falado objeto.


E este dia não demorou a chegar, mais precisamente no mesmo dia, de deusa sentada no Olimpo, eu era apenas mais uma mortal.


Encolhida sob o guarda-chuva, com passos curtos e rápidos, esquivando das gotas que teimavam em me encontrar, buscava o caminho mais breve para chegar ao meu destino.


Fui surpreendida pelo insight da lembrança, e, instantaneamente arrebatada pela incoerência.


Num rompante de coragem, respirei fundo, abaixei o guarda chuva....


Meus passos se tornaram mais lentos.


Nunca fui uma pessoa marcada por grandes coragens, mas um banho de chuva me parecia boa maneira de começar.


E ali, com um guarda chuva na mão, sendo banhada pela água da chuva, me rendi. Alguns, que passavam por mim, esboçavam no rosto um misto de estranhamento e raiva, afinal carregava junto a mim, em perfeito estado de utilização, o artigo de luxo do momento. 


Eles não compreendiam que eu havia decidido dar um passo a frente. 


Ultimamente andava fugindo de tantas coisas.


Andava sendo açoitada por muitos fantasmas.


Cerceada pelo medo, havia deixado de viver tanta coisa, tantas palavras ficaram perdidas no caminho.


Ali, eu marcava o início de um novo momento.


Minhas lágrimas se confundiam com as gotas de chuva, libertando enfim aquele choro contido.


Milagrosamente, a chuva lavou a minha alma.


E agora, com uma alma cintilante, havia muito ainda por fazer.


Havia um mundo para conquistar.


Havia olhares para colecionar.


Havia sorrisos para despertar.


Havia mãos para entrelaçar.


Havia sons para sentir.


Havia sabores para degustar.


E caminhando na chuva, encharcada, com um sorriso estampando no rosto, compreendi que não tinha muito tempo para perder com o medo.


Algumas coisas são inevitáveis.


O sol sempre vem depois de uma ou outra chuva.

E antes que isso aconteça, pretendo dançar com cada gota, cantar cada lágrima despencada do céu e beijar cada sorriso que brotar em meu rosto.

4.12.09

Anjos e Demônios


"Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."(Martha Medeiros)

Eu fico encantada com a diversidade de sentimentos que abrigo em mim, e olhando de soslaio por cima do muro da minha alma, me sinto lisonjeada. 
 
Amo esse sangue que me corre quente pelas veias, deliro ao ser arrebatada por explosões detonadas por mãos fortes. 
 
Paraliso com a sensação dos meus olhos se banharem, paraliso mais ainda com a verdade cruel de não possuir controle sobre mim mesma.  
 
E me enfureço com a imaturidade de supor que controlo aqueles que me norteiam. 
 
Amedronto-me ao me perceber suscetível. 
 
Me sinto tola, ao compreender que quanto mais me aninho no fundo dos meus aposentos, mais eles pintam as minhas paredes, escolhendo as cores, as texturas, os contornos.
 
Quando resolvo tirar o cobertor da inércia que me protege, percebo que ela era impermeável, os sentimentos já se inscreveram em mim.
 
Levanto e ciente da onipresença, observo minuciosamente os escombros.
 
Fico fascinada de como o vendaval fez florescer em mim uma mulher mais feliz, madura e consciente.
 
Sempre tomo até a última gota dos meus sentimentos, embebedo-me com cada dose dos meus venenos.
 
Sou alucinada pelos excessos, pelos extremos.
 
Toda vez que choro, corro pra me olhar no espelho, acho que assim, dói menos, sinto me aliviada pela capacidade de sentir as coisas, e de passar por elas, de não me deixar aprisionar.
 
Sabe, tenho antipatia de pessoas que são amigas de todo mundo, que estão sempre felizes, que sempre saem sorrindo depois de levar uma bofetada na cara, que limpam o rosto com a roupa do corpo depois de uma cuspida.
 
Antipatia maior ainda, com aquelas que, calçando um Chanel com salto agulha, passam por cima do que sentem.
 
Desprezo aqueles que atropelam os outros, inconscientes de que a cada atropelo eles perdem o melhor de si.
 
Tenho asco dos que saem de casa com um arsenal de máscaras na mala.
 
Sinto compaixão por essas pessoas que perdem o pôr-do-sol, os pingos de chuva sobre o nariz franzido, o balançar das folhas, o beija-flor escrevendo insanamente o número oito no ar, a joaninha na ponta do dedo, o primeiro pedaço do bolo, que não dividem a maça do amor. 
 
É, elas perdem, estão muito ocupadas controlando  tentando controlar seus sentimentos.

3.12.09

Só pra te contar...

 
"Look into my eyes
You will see
What you mean to me" ( Brian Adams)


Eu coleciono olhares; 

E apesar de amar os sorrisos; 

De acreditar nos gestos;

Eu coleciono olhares; 

E hoje, quando nos entreolhamos;

Minha coleção se tornou preciosamente maior....

Como vai você?






“E agora penso que a estrada
Da vida tem ida e volta
Ninguém foge do destino
Esse trem que nos transporta”
(Alceu Valença)



Hoje um amigo, com quem geralmente troco sentimentos e que compartilho o olho mágico da porta da vida, me perguntou interessadíssimo “Como vai você?”
 
Falar sobre ele seria demasiadamente prazeroso, tanto quanto desnecessário, julgando pela raridade da pergunta. 

Foi um “Como vai você?” genuíno, com o mesmo interesse que a maioria das pessoas olha o saldo no banco.

Pressionada pela seriedade da pergunta, refleti, respirei e dei minha resposta:


- Sabe quando te oferecem o bolo mais delicioso do mundo (acho que pra mim isso seria   o petit gateau), e você só quer ficar sentando no meio fio, chupando cana-de-açúcar recém saída da geladeira num prato de alumínio, observando seus pés descalços sob a rua de calçamento, sem nenhum carro passando?Escutando o barulho das folhas que o vento balança no fim de tarde?

Ele sabia do que eu estava falando. Ele sempre sabe.

Estranho isso, enquanto muitos dariam tudo pelo melhor petit gateau, estavam me enfiando ele goela abaixo. 

E de tanto as pessoas desejarem aquele petit gateau, eu me senti que nem uma louca e me obrigava a querer comer aquele petit gateau.

O que eles não sabem é que eu já tinha experimentado o arco-íris de sabor que ele, só ele, trazia em si... e paguei um preço alto por ele. Sem resquícios de culpa, muito pelo contrário.

Mas agora eu quero é a sutileza do sabor da cana, aquele que traz paz pro coração, aquele que eu posso comer descalça, desnuda, ouvindo o concerto do vento...

Sinto-me confusa, incoerente, estranha e obsessiva. Mentalmente tento me convencer de que eu queria mesmo o Petit Gateau, mas minha boca saliva pela cana-de-açúcar.

E me vejo dividida, tendo que escolher entre eu e o resto do mundo...

Quando dou por mim, nem sei aonde é essa rua, onde está essa cana-de-açúcar, mas decido feliz da vida, que vou em busca dela.

Mesmo que eu não ache, alguma coisa hei de encontrar.

Não sei se respondi a pergunta do meu amigo...

De repente, interrompida nos meus devaneios analógicos, meu chefe me chama na sua mesa, olha pra mim, e antes de dizer o que precisa ele fala sorrindo:

    - Você está muito bonita hoje!

Desconsiderando o fato de ele ser um gentleman, volto sorrindo: eu sou reflexo do que trago na alma!

Catarse





"Já berrei no microfone
a todo volume no ar
Palavra que se espalha
Pluma no vendaval"

(Rita Lee)




Andava meio afásica, tava sem voz, sem expressão, guardando 5.000 palavras diárias e cumulativas que estavam se transformando num solilóquio enlouquecedor!

Talvez tenha sido envolvida pelo silêncio abissal do ambiente.

De repente, tenho uma vontade louca de soltar um grito que certeza ia se propagar no vácuo.

Decidi recorrer à catarse, contrariadamente aquela de Aristóteles, que é o meio através do qual o Homem purifica sua alma, através da representação trágica, combina mais comigo, não pela purificação já que ela não é garantida, mas pela representação trágica, que abriga minha personalidade sempre tão latente.

Queria mesmo aquela catarse Freudiana, a simbolização poética, ser induzida a uma hipnose, driblar as censuras estabelecidas pelo dominador do superego e vomitar minhas verdades, e acordar linda, leve, sem traumas e de preferência sem olheiras e mais magra...

Ah! Mas não posso duvidar que esse mecanismo catártico promove a cura, sendo um pouquinho mais realista dá pra lavar a alma.

Mas não pretendo dissipar minhas palavras ao vento, quero um “ouvido amigo”, quero comentários...

Quero você no meu mundo!!

As portas do meu blog estão escancaradas pra você!!

Venha sempre!!