“Resta esse constante esforço para caminhar dentro do labirinto
Esse eterno levantar-se depois de cada queda
Essa busca de equilíbrio no fio da navalha
Essa terrível coragem diante do grande medo, e esse medo infantil de ter pequenas coragens.” (Vinicius de Morais)
Lá estávamos nós duas, dentro do carro parado no sinal, sob uma chuva torrencial.
Do Olimpo, comentávamos o tormento dos transeuntes que precisavam de um guarda-chuva para se proteger da chuva, e concluímos que o uso daquele artefato era completamente dispensável. Afinal, o uso dele nao proporcionava uma proteção garantida, e acrescido do transtorno de transportar, tornava o uso inviável.
Obviamente, se estivéssemos no lugar daquelas pessoas preferiríamos andar na chuva a utilizar o mal falado objeto.
E este dia não demorou a chegar, mais precisamente no mesmo dia, de deusa sentada no Olimpo, eu era apenas mais uma mortal.
Encolhida sob o guarda-chuva, com passos curtos e rápidos, esquivando das gotas que teimavam em me encontrar, buscava o caminho mais breve para chegar ao meu destino.
Fui surpreendida pelo insight da lembrança, e, instantaneamente arrebatada pela incoerência.
Num rompante de coragem, respirei fundo, abaixei o guarda chuva....
Meus passos se tornaram mais lentos.
Nunca fui uma pessoa marcada por grandes coragens, mas um banho de chuva me parecia boa maneira de começar.
E ali, com um guarda chuva na mão, sendo banhada pela água da chuva, me rendi. Alguns, que passavam por mim, esboçavam no rosto um misto de estranhamento e raiva, afinal carregava junto a mim, em perfeito estado de utilização, o artigo de luxo do momento.
Eles não compreendiam que eu havia decidido dar um passo a frente.
Ultimamente andava fugindo de tantas coisas.
Andava sendo açoitada por muitos fantasmas.
Cerceada pelo medo, havia deixado de viver tanta coisa, tantas palavras ficaram perdidas no caminho.
Ali, eu marcava o início de um novo momento.
Minhas lágrimas se confundiam com as gotas de chuva, libertando enfim aquele choro contido.
Milagrosamente, a chuva lavou a minha alma.
E agora, com uma alma cintilante, havia muito ainda por fazer.
Havia um mundo para conquistar.
Havia olhares para colecionar.
Havia sorrisos para despertar.
Havia mãos para entrelaçar.
Havia sons para sentir.
Havia sabores para degustar.
E caminhando na chuva, encharcada, com um sorriso estampando no rosto, compreendi que não tinha muito tempo para perder com o medo.
Algumas coisas são inevitáveis.
O sol sempre vem depois de uma ou outra chuva.
E antes que isso aconteça, pretendo dançar com cada gota, cantar cada lágrima despencada do céu e beijar cada sorriso que brotar em meu rosto.
E antes que isso aconteça, pretendo dançar com cada gota, cantar cada lágrima despencada do céu e beijar cada sorriso que brotar em meu rosto.
Acho que esse texto seria a tradução da vida de um cara que conheço, e que hoje está muito feliz, um banho de chuva faz bem demais!!!!
ResponderExcluiramo-te
Let's, você tem que escrever um livro, garota!
ResponderExcluirQue lindo este texto... Amei... Tudo!
Beijocas,
Marcinha.