Eu não sei aonde eu posso comprar a passagem de volta...
E ainda não decidi a respeito disso.
Eu ainda nem sei pra onde eu quero ir.
Não faço a menor idéia de onde recomeçar.
Mas o que realmente importa, é que o que eu vejo agora, não me agrada.
E, de repente, não faz muito sentido voltar.
Algumas coisas são imutáveis.
Muitas escolhas são definitivas.
E eu, sempre escolho o caminho que têm mais coração.
E se eu pudesse voltar lá, naquele ponto, que eu nem faço idéia de onde seja, ainda sim eu teria me orientado por essa pequena bússola quebrada, estrategicamente localizada no meu peito.
E começo a desconfiar que aquela agitação louca e desvairada, é um aviso de perigo.
E nesse caminho que eu andei seguindo, me ensinou a valorizar os dias de luz.
Eles são raros.
Então na hora que eu paro e observo, vejo muita coisa que não queria ver.
Parece que nada cresce aqui.
E têm tantas pegadas no chão, de gente que passou e não quis ficar.
E as flores esqueceram de florescer, as sementes desistiram de fecundar.
E eu passo por aqui, certa de que sou mais uma que vai parar, olhar, e seguir.
Mas os dias de sol, são mágicos, encantadores.
E eu tenho certeza, que quem passasse por ali, num desses momentos, teria uma vontade incontrolável de se enterrar ali.
E você se enterra, até perceber que esse dias tão raros, tão espaçados que são capazes de murchar as lembranças mais belas.
Mas agora, eu valorizo as noites escuras e frias, é nelas que consigo me orientar melhor até a saída.
E gostaria que fosse assim, até eu encontrá-la.