22.7.10

A Carta (Nunca enviada, mas intensamente sentida)

"Exatos são os teus olhos que invadem
E me revelam teu coração
Exata é a cor do teu deserto
A dor do teu deserto
Exatos são teus beijos que me acertam
E a ti revelam meu cora
ção"


Estou cortando a Espanha, entre Barcelona e Madri, desfrutando das melancólicas curvas decoradas pelo Deserto de Monegros.

Malas prontas, rotas traçadas e meu querer apontando para um único destino.

Absorta entre a fome de novos lugares e a sede excruciante de você.

Completamente seduzida pelas ondas do deserto salpicado por raios solares, minhas retinas invertem as imagens e projetam você nos detalhes perfeitos que fazem de toda paisagem única.

Atravessei meridianos desejando encontrar uma paz boa o suficiente para neutralizar aquela em que mora no encontro de nossos olhares.

A Espanha se revelou um lugar intenso, quente, absurdamente envolvente. Desculpa perfeita para entregar-lhe meus pensamentos.

Impressionante, como na imensidão do mundo, caminhando por novos continentes, recolhendo novos sorrisos, desfolhando novos olhares, arrebatada por novos ares, eu mantenho o agradabilíssimo ritual de pensar em nós, em cada anoitecer, garantindo assim mais uma noite aquecida.

E aproximando-me da hora do retorno, trago as malas recheadas de novas lembranças suas...

Os mais belos lugares abrigaram o meu intermitente desejo da sua companhia.

Beijos saudosos.

Sempre sua. 


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