16.8.10

Adeus

" Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez num tempo da delicadeza
Onde não diremos nada
Nada aconteceu
Apenas seguirei
Como encantado ao lado teu "


Foi tudo muito rápido. 

Você se foi antes que eu pudesse segurar forte a sua mão e te pedir pra ficar.

E no segundo de piscar de olhos, o meu para sempre transformou-se em nunca mais

E agora, completamente preenchida pela sua ausência, sinto minha alma despedaçada. 

Desde que você se foi, meus olhos desaprenderam a ver a beleza do mundo. 

As cores tão vibrantes que coloriam minha vida, desbotaram. 

Sinto tanto a sua falta. 

E na ânsia de manter -te viva, vasculho desesperada cada centímetro do meu ser em busca da menor até a mais bela lembrança recheada com a sua presença. 

E elas reaparecem, embargando a voz, transbordando os olhos e dilacerando a ferida aberta. 

Completamente imersa em minhas lembranças, sou capaz de sentir tuas mãos passeando nos meus cabelos. 

E tão nítida quanto as lágrimas em meus olhos, é a lembrança do cheiro do arroz quentinho dentro do isopor e do feijão preto cozinhando no fogão. 

E a vida era tão doce quanto as laranjas que você descascava depois do almoço. 

Estranha magia que envolvia, costas com costas, uma neta ansiosa em alcançar a estatura de sua vovó sempre paciente e risonha. 

Mal sabia ela, que a grandeza de sua vó não estava na estatura e sim no coração que transbordava de tanto amor. 

E ajoelhada ao pé da cama da vovó, sorria, enquanto ela a ensinava rezar. 

Não entendia porque deveria Deus protegê-la de todo "mar", mas adorava estar ali, na exclusividade tão rara, quando dormia na casa de sua avó. 

E nenhuma palavra no mundo é capaz de expressar a alegria dominical de ser recebida pela a avó, sempre com os braços abertos, a bochecha rosada emoldurando um sorriso , cabelos estranhamente grisalhos e um cafezinho na mesa. 

E era fácil começar a semana, depois que ela sussurava no meu ouvido que me amava sempre que eu ia embora. 

E dessa, vez, não foi diferente...

Eu só não sabia que ela é que estava indo embora. 

Sorrindo, ela disse sem cerimônia, que me amava e pediu carinhosamente, como se fosse possível, que eu não me esquecesse disso. 

E de tanto bordar amor, acabou-se o fio de sua vida. 

E tão inesquecível quanto ela, é a saudade que mora em mim. 

É, a vida ficou desbotada e o Céu mais bonito. 

Agora toda noite, antes de dormir, procuro a estrela mais brilhante do céu, e sussuro: “- Eu te amo, vovó” 

E ela cintila de alegria e promete mesmo de longe iluminar pra sempre a minha vida. 

Não sei ainda quantos caminhos hei de percorrer, mas sei que no final da estrada, certamente ela estará lá, de braços abertos, com o mesmo sorriso emoldurado por bochechas rosadas, pronta para um reencontro que vai transformar toda essa ausência em quase nada.

3 comentários:

  1. Let, em prantos ao ler seu texto tenho a certeza que o amor da Vovó por nós pode ser traduzido de alguma forma...simplesmtente lindo e muito real...obrigada por me proporcionar uma nova viagem ao encontro da Vó...Bjo carinhoso

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  2. Let's!
    Lindíssima despedida...me levou às lágrimas tb.
    Mas as vovós são assim: insubstituíveis! E a sua, como não poderia deixar de ser, foi aquela presença maravilhosa e que deixou um vazio enorme que só será preenchido pela saudade e esperança de um lindo reencontro.
    Beijão

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  3. É prima,realmente vc tb me fez viajar ....Vovó era uma guerreira e de um sorriso,só dela mesmo. Perfeita suas palavras !!!! Mil bjos

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