"É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte
Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará"
Ela lhe desejou 'Boa Sorte'.
Era o único desejo que restava em sua prateleira.
Já havia desejado, mais do que deveria, os beijos, o abraço, o corpo, o toque, o olhar, o entrelace.
Embriagou-se com muitos frascos de um louco desejo pela ausência da presença dele nela.
Ele rompeu as invisíveis cortinas da inércia e embalado pela reciprocidade, denunciou-se.
Sem perceber deixou escapar pelos seus poros o desejo há muito contido.
Sorrindo, Ele ofereceu-lhe um momento.
Ela almejava por uma overdose.
Novamente Ele ofereceu-lhe muito pouco, achando que era muito.
Talvez porque ignorava o muito que Ela pode e quis lhe oferecer um dia. Talvez nunca fosse capaz de corresponder a altura.
Muitas vezes, Ela apostou suas fichas, na convicção de que Ele sentia mais do que deixava transparecer.
Ainda portava a convicção , mas não tinha mais fichas.
Ela sentiu a emoção da aposta.
E Ele concentrou-se no sigilo de suas cartas e nas jogadas friamente calculadas.
Acabou sozinho no jogo.
Ela abandonou a mesa. Desejou-lhe 'Boa Sorte'.
E Ele não percebeu, que a sorte a acompanhou quando Ela se levantou.
Desta vez, p
rotegida pela certeza, não foi chicoteada pela dúvida.
O sorriso ataviava novamente seu rosto.
Não ganhou o jogo, mas carregou consigo a lembrança dos bons momentos. E isto bastava.
Aprendeu a digerir seus desejos com um certa destreza, uma rapidez alucinante.
Mas aquele desejo de querer bem a Ele... Ah!....esse Ela não digeriu, incorporou.
Esse desejo navega diariamente por suas veias, com as velas hasteadas.
É. Ela disse 'Boa Sorte'.
Ele não compreendeu a magnitude de seu desejo.
Ela virou as costas, explorou novamente sua prateleira.
E ali, no fundo, esquecido, jazia caído, conservando sua alta temperatura, um atraente frasco vermelho sangue...
Cuidadosamente, Ela resgatou o frasco.
Era o desejo de que Ele segurasse sua mão e a pedisse pra ficar.
Ele novamente não soube surpreende-la.
Ele virou as costas...esperando que Ela pousasse sobre seus ombros aquelas mãos que tanto sentiu falta.
Ela fechou os olhos e cerrou a porta obciamente.
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