Então é isso!
Pois bem, ninguém me prometeu que
seria fácil, mas não me disseram que seria tão difícil.
Viver é para os fortes, já escutei
isso em algum lugar...
De qualquer maneira, sempre achei
que fosse uma frase de efeito, prelúdio de um final certamente feliz.
É, desses que a gente cresce lendo em contos
de fadas, filmes românticos, livros.
Ao que tudo indicava, existiam forças,
acasos, destinos que como uma mágica nos encaminharia ao lugar certo.
Eu já não acreditava em contos de fadas.
Acreditava na força do vento que trazia e levava histórias,
pessoas, amores para a minha vida.
Pra mim o vento, era a linguagem dos deuses, e foi assim
durante muito tempo.
Desde menina, muitas
respostas, escolhas, decisões foram
tomadas depois de muito tempo observando as folhas das arvores balançando.
E o tempo foi passando e aprendi com as árvores que a vida é
incerta, que as vezes o vento se cala, e que o único balanço que a gente deve
escutar é o do nosso coração, do sangue pulsando nas veias.
E segui assim, escutando o coração, sendo fiel , leal e sincera,
acreditava que desse jeito não tinha como dar errado.
E foi assim na primeira pancada, na segunda, na terceira,
até que perdi as contas.
Me despedacei inteira e ainda näo consegui reconstruir...
O que eu não tinha entendido ainda, como a fórmula coração+fidelidade+lealdade+sinceridade
não estava dando o resultado esperado.
Essa equação só me deixava mais
vulnerável.
Enquanto eu tentava entender, com o coração sangrando, sendo
fiel ao que eu acreditava, sendo leal na minha conduta e sincera com os que me
rodeavam, uma tempestade me jogou a léguas pra um lugar escuro, frio e sozinho.
Eu sangrei sozinha, durante um bom tempo, me recusando a
abrir mão das virtudes mais preciosas que eu julgava ter.
Não me importava em
ser vulnerável, eu queria a viver sem amarras, queria poder amar, queria poder
ser correspondida, queria o sorriso retribuído e a mão estendida.
Se o preço de viver, era estar sujeita a sangrar até meu
corpo se esvair, eu estava disposta.
O problema é que no campo de batalha que é a vida, eu só
estava vendo corpos caídos pelo chão, soldados desertores se escondendo em
armaduras de ferro, que mantinham seu coração frio e gelado, e tendo como guia
somente a razão.
E foi aí que eu achei que seria interessante botar uma
pitada de razão na minha fórmula “mágica”, e também não funcionou.
Porque a
minha razão ainda dizia que o certo é lutar pelo que se acredita.
Só que não me parecia muito certo, minha fórmula pronta, bem
temperada e eu ali lutando por pessoas que eram incapazes de lutar por si
próprias.
E eu estava esquecendo de lutar por mim.
E chegou nesse ponto da vida, que a gente precisa fazer
escolhas, naquele momento cruel, em que se empacota os contos de fadas, guarda
os filmes, esquece os livros, engole a lágrima , veste a armadura e deixa o
sangue vermelho vivo mais fosco.
Era uma questão de sobrevivência, abrir mão do que era o
mais bonito em mim e viver.
Afinal de contas, viver é para os fortes.
E ninguém quer saber de uma mulher que carrega na alma os
olhos de uma menina que ainda vê o melhor do mundo.
A vida não perdoa, o tempo não colabora, as pessoas não se
importam na mesma medida, e você não tem outra opção.
Vai ser difícil uma tempestade me derrubar novamente.
E vou sentir falta de tudo que poderia ter sido diferente se
você tivesse me estendido a mão e lutado por mim assim como eu estava disposta
a lutar por você.
O Nós ainda é mais sonoro do que o só.
E sozinha, eu tenho tempo para me fortalecer, enfrentar, e
esquecer.
E eu vou sentir muita falta da mulher com alma de menina que
eu deixei para trás.
E amanhã, uma cicatriz vai ser capaz de contar uma história.
E eu ainda vou ter
esse vazio imenso, de algo soterrado dentro de mim, isolado, aonde só serei
capaz de visitar numa madrugada fria de uma quarta-feira qualquer.
Espero ser capaz de
escutar o barulhinho bom dos nossos sorrisos compartilhados, do bater insano no
meu peito, dos segredos , do medo e daquela sensação boa de estar perto de
você.

Nenhum comentário:
Postar um comentário