"Life goes on
It gets so heavy
The wheel breaks the butterfly
Every tear, a waterfall
In the night, the stormy night
She'll close her eyes
In the night
The stormy night
Away she'd fly"
The wheel breaks the butterfly
Every tear, a waterfall
In the night, the stormy night
She'll close her eyes
In the night
The stormy night
Away she'd fly"
Então é outono!
Sinto minhas histórias contadas em folhas secas, e eu não tenho forças mais pra segura-las.
Meus galhos já estão secos e fracos.
É tempo de se render, permitir que o vento leve as folhas já
agonizantes que eu lutei tanto para manterem-se no verão.
É outono na minha alma, e tão pastel quanto a cor é a palidez que reveste meus
galhos, permitindo o desnudamento completo de histórias que já não encantam
mais.
Eu já não sinto tanto frio, mas me falta o calor das
emoções.
A seiva latente que dava cor, vida, frutos, foi preenchida
por um tronco oco.
Eu estou cansada, como nunca.
E não fosse as raízes tão profundas e já rígidas, talvez
poderia transformar-me num pássaro, daqueles ceifadores, que levam no bico a
semente de uma nova vida.
Do alto, avistaria um terreno novinho, fértil...
Pousaria ali, expondo minha fragilidade, enterraria aquela
semente e regaria diariamente, até poder reconstruir-me.
Mas estou cansada, de tudo que se encontra no Futuro do
Pretérito.
Cansada de frases que não formaram a poesia.
Não vou mais lutar pelo que não quer ou não pode ser.
Cada folha que o vento me leva, dói.
Dói, porque arranca cada sonho seco pra longe.
E dói, porque os que passam pisam neles, e eu queria
recolher, guarda-las, impecáveis.
E num eterno dilema entre recordar e esquecer, eu me permito,
com o olhar fosco, desfolhear.
E aceito que vai doer a cada folha , até eu perde-las de
vista, até minha memória embaçar, e eu esquecer o som dos sorrisos que causei,
dos olhares que despertei, dos amores que eu plantei...
E dói. Dói como nunca.
Dói como acordar de um sonho bom.
Dói como a saudade que não finda.
Lateja com o que poderia ser.
Murcha de decepção da esperança de uma primavera
constante...
E resta a certeza, de que esse outono, vai moldar todo o
resto da minha existência.
Eu amei até esvair meus sentidos.
Até ficar inconsciente.
Até contrariar a lógica das coisas.
As folhas são levadas, as flores arrancadas, os frutos caem,
e árvore continua a mesma.
E meu adubo é amar, amar sem medidas.
E minha seiva é sentir.
É preciso despedaçar-se, despedir-se de você do Outono, rumo ao Pretérito do Perfeito.

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