"She watches the darkness creep in, oh
Come by an half past day
She sits by the weeping willow
Sad that she can't relay
She dreams of someday getting out of this place
She said she's never felt at home
Even in her own face."
É que eu tenho estado engasgada
por muito tempo.
As vezes me permito transbordar
pelos olhos.
E não deixo de pensar em como o simbolismo disso tudo é tão
perfeito.
Eu não tenho gostado muito do que
eu vejo. Muitas vezes quase nem acredito.
Não que eu achasse que fosse
fácil. Dizer adeus é sempre muito difícil. Porque embora a realidade estivesse estapeando
minha face diariamente, eu não estava abandonando só essa sensação ruim que isso
tudo me despertava. Eu estava deixando para trás os bons momentos. Todos eles.
E eu tenho mais vontade de chorar
do que de sorrir.
Eu não sinto
sua falta.
Eu sinto a
minha falta.
Mas sinto de falta de ter aquele
sorriso genuíno.
Sinto falta de ter lembrança, de
ter passado.
Porque para seguir em frente eu
tive que apagar tudo. Tive que cortar os laços. Tive que sangrar.
E eu olho no espelho e vejo
traços seus em mim, o olhar caído, mas não consigo me lembrar do que éramos.
E vejo fotos espalhadas na sala
de jantar.
E vejo sorrisos, e é como se eu estivesse
folheando revistas, vendo completos desconhecidos sorrindo.
O fato é que eu não me reconheço
mais.
Apaguei muita coisa quando
resolvi apagar você daqui de dentro.
Não é como se eu me arrependesse.
Eu não tive escolha.
Ainda não tenho.
E eu tive que me reconstruir.
Acontece que eu estou danificada,
e não gosto do que eu vejo no espelho.
Não gosto da minha alma
costurada, nem do sorriso forçado.
E eu me pergunto todo dia se esse
vazio aqui de dentro um dia vai desaparecer.
Hoje percebo que qualquer
sentimento é melhor do que a ausência.
Ainda estou confusa.
Eu ainda busco um alívio pra esse
vazio que me preenche.
E em como ter um futuro com um
pedaço do meu passado perdido em meu subconsciente.
E se isso era um mecanismo para
se sofrer menos porque é que as lágrimas desenham tanto sofrimento no meu rosto
agora.
E como é que nós tornamos tão
estranhos um ao outro.
E será que você sorri?
E será que você seguiu mesmo em
frente como parece?
E naquele momento em que estamos
sós?
Aonde o que vale é você e seu emaranhado de
pensamentos, você pensa que poderia ter sido diferente?
E se você soubesse que as nossas
atitudes nós separaria para sempre, as teria tomado mesmo assim?
E será que meu rosto também é
para você apenas mais uma imagem também?
E as fotos da sala de jantar
ainda sorriem para você?
E será que valeu a pena?
Eu só queria que você soubesse o
tamanho da cratera que você abriu em mim.
E que eu nunca mais serei capaz
de confiar em ninguém.
Queria que você soubesse que me
feriu de morte.
E que algo como você e eu era
para durar pra sempre.
E que eu morreria por você.
E que tudo isso não existe mais.
É só um vazio incomodo.
Ë um terreno infértil na minha alma.
E que eu nunca mais vou permitir você
retorne a caminhar sobre minhas estradas.
E que não existe mais caminho de
volta.
E que eu não te desejo nada.
Absolutamente nada.
Nada.
E agora é sobre mim.
Sobre o que eu vou fazer do que
restou.
E sobre como vou lidar com o
buraco negro dentro de mim.
E em como eu vou resgatar aquela
pessoa que eu deixei levarem o sorriso.
E por fim aceitar que mesmo
aqueles amores, aqueles que foram feitos para durar, também se enchem de erva
daninha e apodrecem.

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