"Viver tem que ser perturbador, é preciso que nossos anjos e demônios sejam despertados, e com eles sua raiva, seu orgulho, seu asco, sua adoração ou seu desprezo. O que não faz você mover um músculo, o que não faz você estremecer, suar, desatinar, não merece fazer parte da sua biografia."(Martha Medeiros)
Eu fico encantada com a diversidade de sentimentos que abrigo em mim, e olhando de soslaio por cima do muro da minha alma, me sinto lisonjeada.
Amo esse sangue que me corre quente pelas veias, deliro ao ser arrebatada por explosões detonadas por mãos fortes.
Paraliso com a sensação dos meus olhos se banharem, paraliso mais ainda com a verdade cruel de não possuir controle sobre mim mesma.
E me enfureço com a imaturidade de supor que controlo aqueles que me norteiam.
Amedronto-me ao me perceber suscetível.
Me sinto tola, ao compreender que quanto mais me aninho no fundo dos meus aposentos, mais eles pintam as minhas paredes, escolhendo as cores, as texturas, os contornos.
Quando resolvo tirar o cobertor da inércia que me protege, percebo que ela era impermeável, os sentimentos já se inscreveram em mim.
Levanto e ciente da onipresença, observo minuciosamente os escombros.
Fico fascinada de como o vendaval fez florescer em mim uma mulher mais feliz, madura e consciente.
Sempre tomo até a última gota dos meus sentimentos, embebedo-me com cada dose dos meus venenos.
Sou alucinada pelos excessos, pelos extremos.
Toda vez que choro, corro pra me olhar no espelho, acho que assim, dói menos, sinto me aliviada pela capacidade de sentir as coisas, e de passar por elas, de não me deixar aprisionar.
Sabe, tenho antipatia de pessoas que são amigas de todo mundo, que estão sempre felizes, que sempre saem sorrindo depois de levar uma bofetada na cara, que limpam o rosto com a roupa do corpo depois de uma cuspida.
Antipatia maior ainda, com aquelas que, calçando um Chanel com salto agulha, passam por cima do que sentem.
Desprezo aqueles que atropelam os outros, inconscientes de que a cada atropelo eles perdem o melhor de si.
Tenho asco dos que saem de casa com um arsenal de máscaras na mala.
Sinto compaixão por essas pessoas que perdem o pôr-do-sol, os pingos de chuva sobre o nariz franzido, o balançar das folhas, o beija-flor escrevendo insanamente o número oito no ar, a joaninha na ponta do dedo, o primeiro pedaço do bolo, que não dividem a maça do amor.
É, elas perdem, estão muito ocupadas

Excelente!!!!!
ResponderExcluir"Desprezo aqueles que atropelam os outros, inconscientes de que a cada atropelo eles perdem o melhor de si."
ResponderExcluirfiquei encantada.
"Eu fico encantada com a diversidade de sentimentos..."
ResponderExcluirE eu mais ainda...Letícia você arrasou!
Vá em frente!
Se Mário Quintana fosse mulher, certamente se chamaria Letícia.
ResponderExcluirOnde foi que eu já li sobre isso? Ah, lembrei:
"Somos donos de nossos atos,
Mas não donos de nossos sentimentos;
Somos culpados pelo que fazemos,
Mas não somos culpados pelo que sentimos;
Podemos prometer atos,
Mas não podemos prometer sentimentos;
Atos são pássaros engaiolados,
Sentimentos são pássaros em vôo..."
Mário Quintana (Ou seria Let's???)
Continue assim, primoca. Mas não se esqueça de gargalhar um pouco de você mesma de vez em quando, certo?
Beijocas!!!