4.3.10

Imprevisto

“Te ver e não te querer
É improvável, é impossível
Te ter e ter que esquecer
É insuportável, é dor incrível...”


Já faz algum tempo. 

Tempo suficiente para que eu me surpreendesse com o repertório de sensações que me invadiram na sua rotineira presença. 

Repentinamente, desviei o olhar, mirei suas mãos e fui capaz de senti-las passeando no meu corpo. 

Enquanto você discursava seriamente, a vibração da sua voz grave fez meu corpo se arrepiar com a lembrança dos seus sussuros. 

Num reflexo, mordisquei meu lábio inferior, enquanto salivava pelo seu. 

Suspirei desejando que seus olhos se virassem para mim novamente. 

E você sorriu aquele meu sorriso predileto, que surpreendentemente fixava seus olhos nos meus, até que eu me entregasse completamente... 

Inclinei meu rosto ruborizado, inteiramente derrotada, decididamente rendida e primordialmente sedenta...

4 comentários:

  1. capacidade de transformar escrita em arte.....uma dádiva...

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  2. quero chegar naquela parte em que se lê: "... e todos viveram felizes para sempre..."

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  3. Querido, nada é pra sempre...ainda bem!!!!

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  4. Isso de ser exatamente o que se é ainda vai nos levar além.... (Paulo Leminski)

    fascinante... surpreendente... intenso...

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